terça-feira, 2 de junho de 2015

Turbo-coaching for startups: "fuel for jet propulsion"

Segundo Steve Blank, "uma startup é uma organização formada para buscar um modelo de negócios repetível e escalável." Um modelo de negócios, explica, é como uma empresa cria, entrega e captura valor. Steve Blank é um acadêmico e empreendedor em série do Vale do Silício na Califórnia. Ele é conhecido pela metodologia "Customer Development", que lançou os fundamentos para o movimento Lean Startup (empresa iniciante enxuta), que capturou as mentes e corações de jovens empreendedores ao redor do mundo. 



Para descrever um modelo de negócios, Steve prefere diagramas a um plano de negócios (ele diz: "o investidor faz você escrever um plano mas nunca o lê"). Cita o canvas de Alexander Osterwalder como uma forma bem clara de descrever um modelo de negócios. 



Este diagrama propõe os principais elementos de uma empresa, que podem ser usados para fazer a gestão estratégica com revisões periódicas sobre o desempenho de cada item e aplicação de melhorias. É dividido em quatro grupos: infraestrutura, oferta, clientes e finanças. O grupo de infraestrutura é dividido em Atividades-chave, Recursos-chave e Rede de Parceiros. Dentro de Recursos-chave temos recursos que podem ser humanos, financeiros, físicos ou intelectuais. 

Ou seja, neste conceito, pessoas são um dos vários possíveis itens de um dos nove sub-grupos. Curioso colocar as pessoas como parte da infraestrutura, no mesmo balaio que dinheiro, móveis, computadores e geladeiras. Os humanos parecem reduzidos a um plano menos significativo do que de fato deveriam estar. 

Talvez seja por isso que este modelo, embora amplamente aceito como referência, pode não estar dando muito certo no nosso ecossistema pernambucano de startups.

Vou me permitir uma ousadia danada agora, propondo um novo diagrama de business canvas. Ajeitado para conviver com nossa cultura, valores e crenças de forma mais harmônica. Vamos acrescentar um bloco chamado Pessoas, que será o maior deles, pintado de vermelho e dará o foco necessário ao que é mais importante.


  • Quem são as pessoas da nossa empresa?
  • Quais os seus valores e talentos?
  • Que crenças limitantes existem que podem estar bloqueando inovação e criatividade?
  • Quais as competências que precisamos desenvolver para criar um time de alto desempenho e ter resultados extraordinários?
  • Quais as habilidades interpessoais essenciais ao sucesso das negociações e fidelização dos clientes?
  • Qual o alinhamento entre a missão da empresa e o propósito de cada um? 

Porque precisamos adaptar este modelo desta forma? Por que depois de levar muita cacetada importando teorias sociais (sim, administração de empresas é uma ciência social), metodologias e soluções anglo-saxônicas e tentado espreme-las para funcionar por aqui, aprendemos que o buraco é mais embaixo.

Veja só, enquanto disciplina, protocolo e colaboração são características culturais intrínsecas de alguns povos, por aqui é um pouco diferente. Temos que aprender alguns tipos de comportamentos e habilidades que não são tão naturais para nós, mas são indutivos à prosperidade. Enquanto continuamos a dar enfase em "hard skills" (conhecimentos profissionais, ferramentas e técnicas), deixamos de investir no desenvolvimento de "soft skills" (capacidades muito mais subjetivas que palpáveis, relacionadas à interação social, interpessoais). O que você acha? Você gostaria de ter uma pessoa no time que é um técnico brilhante e ao mesmo tempo é um chefe tóxico (toxic leader)? Ou prefere alguém com menos conhecimento de "bits and bytes" mas que seja agregador e contribua para que a equipe tenha mais produtividade e qualidade de vida? (lembrando aqui que qualidade de vida e retenção de talentos andam juntos).

Por outro lado, de acordo com a divisão de Pesquisa e Análise do jornal britânico The Economist, "Habilidades Interpessoais" é a segunda competência mais citada por executivos de vários países na lista das características mais desejadas em gestores e executivos. Vem logo depois de "Trabalho em Equipe" e é seguida por "Entusiasmo e Motivação". Note que as três competências mais buscadas estão na área comportamental. São mais importantes, de acordo com o estudo, que "pensamento crítico e analítico" e "resolução de problemas". É mais fácil aprender a programar em Java do que aprender a praticar empatia e escuta ativa no dia a dia.

Turbo-coaching for Startups é um programa de capacitação gerencial que foca no desenvolvimento de competências interpessoais. Alem disso, promove o aumento do nível de autoconhecimento, autoconfiança e autoestima. No início do programa medimos o nível de competência nessas habilidades essenciais e identificamos quais devem ser desenvolvidas para maximizar o valor entregue pela pessoa à empresa, enquanto cada um se capacita para usar as habilidades mais procuradas no mercado. Para toda a sua carreira.


As empresas são as pessoas. É delas que a prosperidade virá.

Agradeço a José Carlos Cavalcantiautor e professor de economia na UFPE, que me apresentou a Steve Blank e com quem tive o privilégio de trocar ideias sobre o futuro do setor de tecnologia da informação e comunicação em Pernambuco.



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Um comentário:

  1. Muito bom!!! uma inovação fantástica, uma libertação dos preceitos "americanizados" que muitas vezes estão desconexos com nossa realizada sócio cultural.

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